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Curiosidades bíblicas
Mudar tamanho da letra
  • 09/12/2009 23:45
    DEZ PERGUNTAS SOBRE O DIVÓRCIO
     
     
     
    O nome Big Brother (Grande Irmão, em português) foi inspirado no livro "1984", do escritor inglês George Orwell. Na obra, todos os habitantes de um país fictício estão constantemente vigiados por câmeras que funcionam como os olhos do governo. Em 1999, o canal holandês Veronica lançou o primeiro programa da série. Em 2000, o fenômeno Big Brother se espalhou por outros 19 países, como Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, Suíça, Suécia e Bélgica. Em todos eles, o programa virou sinônimo de sucesso e fenômeno de audiência. Seus participantes e vencedores tornaram-se celebridades da noite para o dia e faturaram enormes fortunas em prêmios. A partir do começo de 2002, a febre mundial se confirmou por aqui, fazendo com que milhões de brasileiros acompanhassem diariamente o cotidiano da primeira leva de confinados.
    O Big Brother tem o seu foco na exposição pública das relações interpessoais dos membros do grupo selecionado para participar do programa, e também, na interação entre estes e a audiência. A convivência saudável com a notoriedade e a fama tornan-se mais difíceis na mesma proporção da fragilidade da estrutura egóica de cada um. E o que isso significa? A teoria psicanalítica ensina que nós construímos nossa identidade a partir do Outro (com letra maiúscula, como convencionou Lacan). Começamos nessa jornada com a relação mãe-bebê, na qual existe inicialmente uma ligação simbiótica. Ou seja, o bebê não consegue perceber-se como um ser separado de sua mãe. Essa diferenciação só passa a ser possível, durante o processo de desenvolvimento, a partir da interferência de um terceiro. Esse terceiro pode ser o pai, o trabalho da mãe, enfim, qualquer coisa que o contrarie no seu desejo de fusão com a figura materna. Essas interferências de um terceiro continuam aparecendo nas relações da pessoa adulta. O que é esperado é que nesse ponto, a pessoa já esteja pronta para lidar com isso. A gente aprende a ser alguém a partir do Outro. Mas algumas pessoas para saber quem são, tornan-se mais dependentes desse ato reflexo (as celebridades, os reality shows...) Não se trata de uma atitude deliberada. Ninguém lê Caras ou assiste à novela para saber como se vestir ou como agir no dia seguinte; mas, inconscientemente, acabamos captando a mensagem. Se a família e o mundo se perderam e não servem mais para nortear nossas ações, então descobrimos que o manual de conduta pós-moderno está no colorido da mídia. Quem não quer ter o cabelo esvoaçante da top model da vez ou o carro mais bem equipado, que mexe com o nosso desejo e nos dá a sensação de poder? Refiro-me a perda da família, porque antes aprendíamos por intermédio das histórias contadas quando éramos crianças ou das histórias a partir da própria família, com o diálogo e a convivência familiar.
    Numa “sociedade de espetáculos”, procuramos referências nos valores e costumes da sociedade e, com isso, os meios de comunicação passaram a ser a forma de validação das normas de conduta. Portanto, é natural nos espelharmos em pessoas consideradas modelos (modelo de comportamento, de gênero, de papel...). Um outro motivo para ficarmos de olho na vida alheia é ocupar-nos com os detalhes da vida do mito, tornando mais eficiente o exercício de fuga de nossa própria realidade. Esse exercício satisfaz a duas necessidades psicológicas importantes: 1) quebrar a figura de perfeição do mito (por exemplo: ela também tem celulite; ele não tem o peitoral assim tão malhado...) e, também, a outra, buscar uma referência de valor (se fulano, que está na mídia, faz isso, eu também posso fazer).
    É claro que qualquer pessoa normal quer saber como seu semelhante vive, principalmente se esse Outro for uma figura de identificação. Quem nunca teve um professor, uma tia, um vizinho ou um colega de trabalho a quem admirou? Porém, não podemos nos esquecer que é o mínimo de privacidade que nos garante a condição de sujeito. Em psicanálise, o sujeito é "o sujeito do desejo" que Freud descobriu no inconsciente. Enquanto que o eu (ego) se situa em um eixo imaginário em oposição a sua própria imagem (o pequeno outro, de Lacan), "o sujeito ex-siste na linguagem". Portanto, não podemos nos esvaziar de quem somos. Podemos estar ali apenas como expectadores.
    Bom, deixando claro todas as nossas motivações para a bisbilhotice da vida alheia, só me cabe dizer como Pedro Bial: vamos continuar espiando!
    Até semana que vem!