O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
A palavra adolescência vem do latim “adolescere” que significa “fazer–se homem/mulher” ou “crescer na maturidade” (Muuss, 1982 apud Kimmel & Weiner, 1995, p. 2).
A adolescência é caracterizada pela passagem da idade infantil para a idade adulta. Muitas são as dificuldades enfrentadas pelos adolescentes, uma vez que várias mudanças (físicas e psicológicas) ocorrem exatamente neste período. O ato de mudar gera medo, dúvidas e alguns embaraços com relação às decisões que precisam ser tomadas. Este é um período da vida que requer atenção, pois é exatamente neste momento que podem advir os mais variados problemas (gravidez indesejada, uso e dependência química do álcool e/ou drogas pesadas).
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a adolescência compreende um período entre os 11 e 19 anos de idade. No Brasil, contudo, a adolescência possui diferentes configurações, pois depende da classe social em que o adolescente está inserido. Nas classes mais privilegiadas, é entendida como um período de experimentação sem grandes conseqüências emocionais, econômicas e sociais; o adolescente não assume responsabilidades, pois se dedica apenas aos estudos, sendo essa a sua via de acesso ao mundo adulto. Já, nas classes baixas, a realidade é diferente, porque muitas das experimentações ficam comprometidas, dadas às necessidades dos mesmos terem de se inserir no mercado de trabalho e não só viverem por conta do estudo.
Devido às mudanças que já ocorrem no período da adolescência, podemos dizer que estas, somadas às mudanças que ocorrem na gestação (profundas transformações endócrinas, somáticas e psicológicas), geram o agravamento da crise vivenciada neste momento.
No Brasil a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas que na década de 70. A grande maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade e, por causa da repressão familiar, muitas delas fogem de casa e quase todas abandonam os estudos.
Sabe-se hoje, que de cada 100 mulheres que dão à luz no Brasil, 28 são menores de 18 anos. Desde 1980, o número de adolescentes grávidas aumentou 15%. Isso significa, aproximadamente, 700 mil meninas se tornando mãe a cada ano. Importante ressaltar que estes são dados do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Vivemos uma realidade alarmante, que tende a piorar se não tivermos políticas públicas com ações coletivas, propiciando o intercâmbio de áreas como saúde, educação, cultura e lazer, e, a educação dentro do núcleo familiar. As atitudes das pessoas são, inegavelmente, estimuladas e condicionadas tanto pela família quanto pela sociedade. Ambas, passam hoje, por inúmeras transformações em suas estruturas. Na medida em que a liberalidade vem tomando conta dos jovens, os valores éticos também se afrouxaram. Os tabus, inibições, tradições e comportamentos conservadores estão diminuindo, e com isto, a atividade sexual e a gravidez na infância e na juventude vem aumentando. Dentre os vários profissionais da saúde e da educação, já há concordância de que a liberalização da sexualidade, a desinformação sobre o tema, a desagregação familiar, a urbanização acelerada, as precariedades das condições de vida e a influência dos meios de comunicação são os maiores responsáveis pelo aumento do número de adolescentes grávidas.
Muitos são os casos de adolescentes grávidas e desesperadas, que não vendo saída para o seu dilema, recorrem a abortos clandestinos e até mesmo ao suicídio. No caso do aborto, colocam em risco sua vida e, também do próprio feto, quando seu intento não se consolida. Segundo a Organização Mundial da Saúde, dos 4 milhões de abortos praticados por ano no Brasil, 1 milhão ocorrem entre adolescentes; muitas delas ficam estéreis e cerca de 20% morrem em decorrência do aborto.
Como o tema é bastante rico, numa próxima edição estaremos abordando as repercussões da gravidez na adolescência, tanto para a mãe adolescente quanto para o pai adolescente, e como os familiares devem agir.
Até semana que vem!
Drª. Rita Magda Almeida.
Psicanalista Clínico de crianças, adolescentes e adultos.
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