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Comportamento
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  • 15/09/2009 18:36
    COMO MELHORAR COMPORTAMENTOS AGRESSIVOS.
     
     
     
    A agressividade é um comportamento emocional que faz parte da afetividade de todas as pessoas. Ela é algo natural. Também vimos que ela varia de sociedade e cultura, valores e crenças. Volto então a dizer que os atos agressivos não são a verdadeira expressão de raiva, mas sim desvios de outros sentimentos (como mágoa, insegurança, etc.) que devido ao fato da criança não saber como lidar com eles, os expressa através da agressividade. Agressividade NÃO é traço de personalidade. As crianças não SÃO agressivas, elas ESTÃO agressivas. Como vimos, é o meio ambiente que perturba a criança. A agressividade está alicerçada nas relações afetivas que são mantidas pela criança em sua infância, com pai, mãe e cuidadores. Se essa criança passa pela experiência de abandono por parte de pais ausentes, ou está sob a guarda de pais superprotetores ou agressivos, vão responder ao mundo segundo as impressões que nela foram introjetadas.


    Portanto, podemos perceber com clareza, a necessidade de se ter equilíbrio na educação das crianças. Grande parte dos adultos que hoje nos relacionamos e, que têm condutas agressivas, veio de meios sociais conturbados. É comum vermos em manchetes de jornais pessoas que saem de seus veículos agredindo a outros motoristas, por qualquer impasse que haja entre eles. Não dão margem ao diálogo e a única forma de resolução dos problemas é no grito ou na agressão física. Também cansamos de ver crianças dando chutes, pontapés, e mordidas em seus cuidadores, quando contrariadas em seus desejos. Estamos vivendo o mundo da intolerância a cada dia mais. A falência da cordialidade já se instalou. Dificilmente nos encontramos com alguém que usa as palavras: “por favor”, “muito obrigado”, “me dê licença”, “bom dia” ou “boa noite”. Raramente vemos jovens dando seus lugares a pessoas mais velhas, em ônibus, locais públicos e etc. Também, constantemente, temos notícias de professores sendo agredidos nas escolas. O que fazer então?


    Se nos deparamos com a cena de uma criança em um supermercado gritando, exigindo de seus pais o que ela quer, é momento desses pais, sem gritos, deixar claro para a criança os seus limites e, usar do “não” necessário para a imposição do mesmo. Quando a criança grita e eu grito com ela, apenas estou fazendo reforço negativo de que as coisas só se resolvem daquela forma e, ainda, que pode mais quem manda mais. Saber dizer “não” na hora certa é fundamental. A educação e o exemplo dos pais são fundamentais para o equilíbrio da criança. Ela precisa se sentir valorizada e respeitada para que possa repassar valores positivos.
    Castigos resolvem? O castigo só pode ser estabelecido a partir de uma conversa com a criança, mostrando-lhe o que se espera dela em seu comportamento. É necessário fixar regras e estabelecer alguns parâmetros de comportamento, pois assim, a própria criança irá perceber quando foi que ela burlou tais regulamentos e aceitará com maior facilidade o castigo.



    É importante ressaltar que devemos solucionar o problema da agressividade antes da adolescência, pois essa é uma fase ainda mais difícil de definir novos valores e, por si só, já é bastante conflitiva. Muitos pais dizem que seus filhos não eram crianças agressivas e se tornaram agressivos depois de adolescentes, mas a raiz da agressividade já estava lá e eles não perceberam os sinais.


    Muitos fatores contribuem para o aumento da agressividade. A televisão, os videogames, a escola e a situação sócio-econômica podem ser os elementos ambientais relacionados à conduta agressiva. É errado pensarmos que condutas agressivas são típicas de meninos da “Febem”, pois elas se instalam em outras classe sociais mais protegidas, como os muros dos condomínios de luxo. Ambas as classes são enganadas por propagandas que dizem que o prazer tem um fim em si mesmo; que se todos fazem, eles também devem fazer; que só se é feliz se tudo tem; que, não podemos perder um minuto na vida, pois ela foi feita para ser vivida intensamente, sem nenhuma avaliação do que se está construindo enquanto pessoa; e etc... E assim vamos formando pessoas sem tolerância à frustração, que costumam tomar a força o que querem ou, quando não conseguem, são adultos que passam pela vida, cheios de doenças psicossomáticas e até psiquiátricas.


    Bem, pelo que pudemos ver, se sou uma criança saudável, me torno um adulto saudável. Ser saudável é entender meu papel enquanto pessoa. Se for valorizada e respeitada em minha infância, tendo a repetir minha história com as pessoas que me cercam. Se for uma criança ferida, quando adulta vou ferir e desrespeitar, porque essa é a única linguagem que reconheço.
    Vimos que todos os problemas se estabeleceram por falta de uma educação adequada e segue agora duas frases para nossa reflexão: "Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos." (Pitágoras); e, "Educar mal um homem é dissipar capitais e preparar dores e perdas à sociedade." (Voltaire)
    Até semana que vem!
    Drª. Rita Magda Almeida.
    Psicanalista Clínico de crianças, adolescentes e adultos.
    Fones: (032)37213244 ou (032) 88367656
    E-mail: rita.magda@terra.com.br